Brasil concentra 84% dos ataques digitais contra empresas na América Latina
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoO país responde por 84% de todos os ataques digitais registrados contra empresas na América Latina. Os dados colocam o Brasil em posição de destaque negativo em um cenário em que os ataques cibernéticos já lideram a lista de riscos globais para organizações em 2026, de acordo com o Allianz Risk Barometer (estudo anual que reúne percepções de especialistas de risco de todo o mundo).
O levantamento aponta que 42% dos gestores de risco consultados consideram os incidentes cibernéticos a maior ameaça para os negócios neste ano, à frente de preocupações tradicionais como interrupção operacional (29%), mudanças regulatórias (26%) e catástrofes naturais (21%).
Por que o Brasil concentra tantos ataques?
A combinação de digitalização acelerada, base de usuários, empresas conectadas em larga escala e lacunas ainda significativas em maturidade de segurança tornam o Brasil um alvo recorrente. O país tem uma das maiores populações digitalmente ativas da América Latina e uma infraestrutura financeira e corporativa que atrai atenção de grupos organizados.
O Brasil é o país com a maior população digitalmente ativa da América Latina. São 185 milhões de usuários de internet (o que representa 86,9%), 217 milhões de conexões móveis ativas e 150 milhões de pessoas presentes em redes sociais. Em média, os brasileiros passam mais de 53 horas por semana conectados.
Além disso, o ambiente regulatório ainda está em consolidação. Embora a LGPD tenha avançado na criação de obrigações para o tratamento de dados, a implementação efetiva de controles de segurança nas organizações, especialmente em pequenas e médias empresas, ainda é desigual.
O papel da inteligência artificial nos ataques
Um fator que está mudando o cenário de ameaças é o uso de inteligência artificial pelos criminosos. Ferramentas de IA estão sendo utilizadas para criar campanhas de phishing personalizadas em escala, produzir deepfakes para fraudes corporativas, automatizar o reconhecimento de vulnerabilidades e desenvolver malwares mais adaptáveis.
O resultado prático é que ataques que antes exigiam alto nível de conhecimento técnico estão se tornando mais acessíveis, enquanto o tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade continua caindo.
Ransomware: do roubo de dados à paralisação de operações
O ransomware está entre os ataques cibernéticos mais recorrentes no Brasil e, muitas vezes, seu principal objetivo é interromper as operações para pressionar a organização. Por isso, a interrupção de negócios circula entre os principais riscos no Allianz Risk Barometer: um único incidente pode paralisar sistemas e afetar simultaneamente vendas, atendimento, logística e comunicação.
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O aumento da pressão regulatória aparece como terceiro maior risco para empresas em 2026. No Brasil, a LGPD já consolidou exigências para o tratamento de dados pessoais, e setores como financeiro, saúde e telecomunicações enfrentam requisitos cada vez mais rigorosos de segurança da informação.
A tendência global é de endurecimento das regras. Organizações que não conseguirem demonstrar controles adequados e capacidade de resposta a incidentes estarão mais expostas não apenas a ataques, mas também a sanções regulatórias e ações judiciais.
O que os dados indicam para empresas brasileiras?
A liderança do Brasil nos ataques continentais combinada com a posição de topo dos incidentes cibernéticos no ranking global reforça que a segurança digital deixou de ser uma questão exclusivamente técnica. O tema entrou na agenda de gestão de risco das organizações e exige atenção de lideranças de negócio, não apenas de equipes de TI.
O Allianz Risk Barometer 2026 aponta que as empresas mais preparadas não serão necessariamente as que conseguirem evitar todos os incidentes, mas as que tiverem capacidade de identificar ameaças rapidamente, responder com eficiência e manter a continuidade das operações com segurança e organização.

