Hackers invadem central multimídia para instalar malware
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoPesquisadores da Kaspersky identificaram uma nova família de malware criada especificamente para infectar centrais multimídias automotivas baseadas em Android que utilizam firmware desenvolvido pela DoFun. A descoberta, feita em junho, é o primeiro caso documentado de uma cadeia de infecção criada especificamente para esse tipo de equipamento veicular.

Como o malware se espalhou?
A ameaça se distribuiu por meio do próprio mecanismo de atualização integrado às centrais multimídia, e não por um link ou arquivo enviado à vítima. O ataque começa em um aplicativo legítimo do sistema chamado TWCore, responsável por coletar informações e atualizar os programas instalados no dispositivo. Criminosos conseguiram usar esse canal de atualização oficial para enviar diretamente um dropper que inicia toda a cadeia de infecção.
Uma vez instalado, o malware funciona silenciosamente em segundo plano, sem interface visível, e passa a se comunicar a cada 90 minutos com um servidor de comando e controle. Entre as ações que o malware pode executar estão exibir anúncios indesejados, realizar fraude publicitária, coletar dados do dispositivo, como modelo, rede Wi-Fi conectada e endereço MAC, e baixar módulos adicionais que transformam a central multimídia em parte de uma rede de proxy.
"O malware se espalhou por meio dos atualizadores integrados ao firmware de centrais automotivas baseadas em Android. Apesar dos esforços de especialistas em cibersegurança e autoridades para derrubar a botnet BADBOX, atores individuais associados a ela continuam suas atividades maliciosas, infectando dispositivos em todo o mundo", afirmou Dmitry Kalinin, pesquisador da Kaspersky.
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Por que centrais multimídia viraram alvo?
A campanha foi atribuída ao MoYu Group, associado à infraestrutura BADBOX, já responsável por infectar diversos tipos de dispositivos Android conectados à internet, incluindo aparelhos de TV Box e centrais de baixo custo. Como muitas centrais multimídia usam o sistema Android e têm conexão própria com a internet, seja por Wi-Fi ou por chip próprio, elas ficam expostas aos mesmos riscos que afetam smartphones e tablets, incluindo aplicativos maliciosos disfarçados de sistemas legítimos, um padrão comum em campanhas de phishing e infecções por malware.
Segundo a Kaspersky, o problema que permitia o abuso do mecanismo de distribuição já foi corrigido após a divulgação responsável da falha. Ainda assim, o caso reforça que dispositivos conectados dentro do carro merecem a mesma atenção dedicada a celulares e computadores. Manter os sistemas de bordo atualizados apenas por canais oficiais e desconfiar de aplicativos desconhecidos instalados na central multimídia são medidas simples que reduzem o risco de exposição.
