Golpe do Saque Fantasma atinge mais de 3 mil pessoas

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Uma rede de sites falsos de apostas está usando promessas de ganhos rápidos para aplicar o chamado golpe do saque fantasma, que retém depósitos feitos por Pix e cobra uma taxa indevida para liberar um suposto prêmio. A fraude foi identificada pela empresa de cibersegurança ZenoX em plataformas com nomes como MAXXBET7K, MAXBTT7K e NEWWBET7K, e já expôs dados cadastrais de mais de 3,6 mil pessoas.

Como o golpe do saque fantasma funciona?

As vítimas são atraídas por vídeos e mensagens distribuídos no TikTok, no Instagram e no Telegram, com a promessa de que depósitos entre R$20 e R$30 geram ganhos de R$2.000 a R$3.000 em poucos minutos de jogo. Depois de fazer a transferência via Pix, o apostador vê um saldo crescer rapidamente dentro do painel da conta, mas de forma fictícia.

O problema aparece quando a pessoa tenta transferir o valor acumulado de volta para a própria conta corrente. Em vez de autorizar o envio, o sistema exibe uma mensagem de erro simulada e passa a exigir uma taxa fixa de R$30 para liberar o dinheiro.

A falsa taxa usa um Pix adulterado?

Segundo a análise da ZenoX no código das páginas, a cobrança extra é uma simulação criada dentro do próprio navegador do usuário. O sistema simula uma falha de comunicação com a intermediadora de pagamentos PixUp e gera, na hora, um QR Code genérico e falso para captar a taxa de R$30. Quando a vítima faz esse novo pagamento esperando liberar o saldo total, a operação nunca é confirmada pelos servidores.

"A malícia desta operação não é malware clássico: é econômica e de engenharia. O próprio código da aplicação implementa o bloqueio do pagamento, a taxa falsa e a confirmação impossível de saque", explicou Gabriel Alves, pesquisador de ameaças da ZenoX e autor do relatório. Como não há vírus envolvido, antivírus comuns não detectam o golpe, que depende inteiramente de engenharia social para funcionar.

Vazamento expôs dados de milhares de pessoas

A investigação também encontrou falhas graves de segurança nas próprias páginas fraudulentas: senhas e chaves de acesso administrativo ficaram visíveis no código entregue aos visitantes, o que permitiu aos pesquisadores acessar os bancos de dados por trás dos sites. Só no domínio NEWWBET7K, a equipe encontrou uma base aberta com informações de mais de 3,6 mil pessoas, incluindo nomes completos, e-mails, telefones e histórico de pagamentos via Pix.

Essa exposição de dados amplia o risco de golpes secundários: com essas informações em mãos, criminosos podem contatar as vítimas por telefone ou mensagem oferecendo uma falsa "recuperação de saldo", mediante o pagamento de novas taxas.

Os números por trás do esquema:

O levantamento da ZenoX reuniu uma série de dados sobre o funcionamento da fraude:

  • Depósito inicial exigido: entre R$20 e R$30 para começar a apostar.
  • Promessa de retorno: ganhos fictícios de R$2.000 a R$3.000.
  • Taxa falsa de liberação: cobrança de R$30 via QR Code adulterado.
  • Valor retido nos sistemas MAXXBET7K e MAXBTT7K: R$107.519, distribuídos em 415 contas.
  • Proporção de depósitos pequenos: 92% do volume financeiro recebido pelas plataformas.
  • Transações nunca liberadas: 68% do total ficou com status permanentemente pendente.

Sempre que um domínio é denunciado ou derrubado, os responsáveis registram novos endereços com nomes parecidos para manter o esquema funcionando.

Como agir se você caiu no golpe?

A orientação para quem já enviou dinheiro para essas plataformas é comunicar imediatamente o banco e acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), ferramenta do Banco Central que bloqueia preventivamente os valores na conta de destino e rastreia o dinheiro por contas intermediárias usadas pelos fraudadores.

  1. Reúna as provas: guarde comprovantes das transferências, prints das páginas falsas e registros de conversas relacionadas ao golpe.
  2. Acione o MED 2.0 pelo aplicativo do banco: a contestação por fraude deve ser registrada diretamente no canal da sua instituição financeira.
  3. Registre um boletim de ocorrência: a denúncia na Polícia Civil ajuda nas investigações e na derrubada judicial dos sites envolvidos.
  4. Desconfie de ofertas de "recuperação de saldo": criminosos usam os dados vazados para aplicar um novo golpe, cobrando taxas adicionais que nunca resultam em devolução.
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Escrito por:

Mariana Silva
Redatora

Mariana escreve com sensibilidade e pensamento crítico. Cursa Publicidade e Propaganda e fala sobre segurança digital de forma clara e acessível, transformando temas técnicos em informação útil para o dia a dia. Amante de livros de romance e cinema, acredita no poder das palavras para transformar o mundo.