Quase metade dos pequenos negócios sofreu com golpes digitais
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoUma pesquisa inédita do Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) revelou que 44% das micro e pequenas empresas brasileiras sofreram tentativas de golpes digitais ou por telefone nos últimos 12 meses. O dado, levantado com 4.466 empresários de diferentes portes, coloca em perspectiva um risco que cresceu junto com a digitalização dos negócios: golpistas miram pequenas empresas com a mesma frequência que alvos maiores, mas as consequências são mais graves.
Por que pequenos negócios perdem mais com fraudes?
A frequência das tentativas de golpe é quase a mesma independentemente do porte da empresa. Enquanto 44% das micro e pequenas empresas relataram tentativas, o índice entre médias e grandes é de 47%. O que muda é o impacto financeiro quando a fraude se concretiza: 31% dos pequenos negócios reportaram prejuízo real, contra 22% nas empresas maiores.
A razão está diretamente ligada à falta de estrutura de proteção. Apenas 17% dos pequenos negócios declararam ter medidas estruturadas de segurança digital e ações permanentes de conscientização dos colaboradores. Nas médias e grandes empresas, esse percentual chega a 72%.
O desequilíbrio é significativo: empresas menores enfrentam volume semelhante de ataques com uma fração da proteção disponível nos negócios maiores. Para 45% dos empreendedores de menor porte, um golpe relevante seria grave ou muito grave para a continuidade da empresa. Nas médias e grandes, apenas 22% compartilham essa preocupação.
Quais golpes mais atingem os pequenos negócios?
A pesquisa mapeou os tipos de fraude que mais preocupam os donos de micro e pequenas empresas. Os três principais são:
- Boleto falso: citado por 38% dos empresários, é o golpe que mais gera atenção no dia a dia, com documentos adulterados para desviar pagamentos para contas dos criminosos.
- Golpe por telefone: preocupa 31% dos entrevistados e inclui ligações de falsas centrais de atendimento que se passam por funcionários do banco para solicitar senhas e autorizar transações.
- Golpe do Pix: afeta 30% dos respondentes de forma geral e sobe para 31% entre os MEIs, onde a velocidade do Pix reduz o tempo de verificação antes de uma transferência.
Entre médias e grandes empresas, o maior temor é a invasão de sistemas corporativos e contas de e-mail.
Por que o fator humano é o maior risco?
A pesquisa aponta que, nos pequenos negócios, o principal ponto de vulnerabilidade não está na tecnologia, mas no comportamento das pessoas. O acúmulo de funções do empreendedor favorece decisões tomadas de forma automática, exatamente o ambiente que os golpistas procuram.
As situações mais comuns que resultam em fraude incluem:
- Links sem verificação: clicar em mensagens de e-mail ou WhatsApp sem checar a origem, abrindo espaço para o phishing.
- Pix sem conferência: realizar transferências via Pix sem verificar o nome e CPF ou CNPJ do destinatário antes de confirmar.
- Falsa central de atendimento: atender ligações de criminosos que se passam pelo banco para solicitar dados ou autorizar cancelamentos de cartão, como no golpe do 0800.
- Ausência de autenticação: não utilizar a verificação em dois fatores nas contas bancárias, e-mail corporativo e sistemas de gestão da empresa.
Golpes que afetam pequenas empresas raramente dependem de falhas tecnológicas sofisticadas. A maioria usa o volume de decisões tomadas sob pressão de tempo, sem checagem adequada dos dados.
Leia também: Cibersegurança para pequenas e médias empresas
Como proteger o seu negócio contra golpes digitais?
Boa parte das fraudes pode ser evitada com medidas que não exigem investimento em tecnologia cara. O Sebrae destaca que procedimentos internos de verificação costumam ser mais eficazes para pequenos negócios do que depender exclusivamente de ferramentas. As ações mais relevantes são:
- Confirme sempre os dados antes de pagar: cheque o nome do favorecido, CPF ou CNPJ e o banco antes de finalizar qualquer transferência por Pix ou boleto.
- Valide boletos pelo seu banco: acesse o ambiente do seu banco e insira os dados do boleto manualmente. Nunca pague diretamente por um documento recebido por e-mail ou mensagem sem conferir.
- Habilite autenticação em dois fatores: ative essa proteção nas contas bancárias, no e-mail corporativo e nos sistemas de gestão financeira.
- Restrinja acesso a informações financeiras: apenas as pessoas que precisam operar pagamentos e transferências devem ter acesso a dados bancários da empresa.
- Oriente seus colaboradores: informe a equipe sobre os principais tipos de golpe, especialmente tentativas por telefone, e-mail e WhatsApp.
- Mantenha dispositivos e sistemas atualizados: atualizações corrigem vulnerabilidades que golpistas usam para acessar sistemas sem autorização.
O que fazer se a empresa for vítima?
Se um pagamento indevido foi realizado, acione o banco imediatamente pelo aplicativo ou canal oficial para tentar o cancelamento ou acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) no caso de Pix. Registre um boletim de ocorrência online com todos os dados disponíveis.
Conclusão
A pesquisa do Sebrae e da FGV deixa claro que golpes digitais não escolhem o porte da empresa, mas os efeitos são sentidos de forma muito mais intensa por quem tem menos proteção. A combinação de alta frequência de tentativas com baixa adoção de medidas estruturadas cria um cenário em que o custo de não se proteger é maior do que o custo de adotar práticas básicas de segurança. Para pequenos negócios, a principal proteção ainda é a atenção de quem opera as finanças no dia a dia.
Perguntas frequentes
Quantas pequenas empresas já sofreram tentativas de golpe digital?
Quantas pequenas empresas já sofreram tentativas de golpe digital?
Quais são os golpes mais comuns?
Quais são os golpes mais comuns?
Por que pequenos negócios perdem mais dinheiro?
Por que pequenos negócios perdem mais dinheiro?
Quais medidas ajudam a proteger a empresa?
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