Brasil registra 4 golpes digitais por minuto, aponta estudo
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoO Brasil registrou mais de 2 milhões de casos de estelionato em 2024, o equivalente a quatro golpes a cada minuto. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e foram destacados por David Carneiro, consultor legislativo da Câmara dos Deputados, em entrevista ao programa Papo de Futuro, da Rádio Câmara. Para ele, o volume e o alcance das fraudes digitais tornam o tema uma prioridade que exige resposta coordenada entre governo, bancos, legislativo e sociedade.
O que os dados revelam sobre golpes digitais no país?
Além do número de ocorrências, o impacto financeiro é expressivo. O Ministério da Justiça e Segurança Pública estima em cerca de R$ 50 bilhões o prejuízo acumulado nos últimos anos em função dos golpes digitais. "É um problema massivo da sociedade brasileira e que a gente precisa estar discutindo", afirma Carneiro.
O crescimento dos casos acompanha a digitalização das transações financeiras. Com mais pessoas realizando pagamentos, transferências e compras pelo celular, o ambiente online se tornou o principal canal de atuação das quadrilhas especializadas em fraudes. O golpe do Pix, as falsas centrais de atendimento bancário e os links de pagamento falsos estão entre os esquemas que mais aparecem nos registros.
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Por que o combate ainda é insuficiente?
A migração do crime para o ambiente digital não foi acompanhada, nos estados, por um investimento equivalente na capacidade de investigação. "A gente não viu nos estados um aparelhamento pelo menos equivalente das polícias civis para a investigação desses crimes", observa o consultor.
No plano federal, o governo e os bancos assinaram um protocolo de ação conjunta e o Legislativo tem trabalhado em mudanças na legislação penal voltadas ao combate das fraudes. Mesmo assim, o Brasil ainda não conta com uma estratégia nacional coordenada. Países como os da Europa e a Austrália já adotam modelos integrados, com objetivos definidos, responsabilidades claras e cooperação entre órgãos de segurança, reguladores e setor privado.
O que pode mudar para proteger melhor a população?
Para David Carneiro, o caminho passa por uma estratégia que combine investigação, regulação, fiscalização e educação para a cibersegurança. O letramento digital precisa alcançar todas as faixas etárias, porque as fraudes não escolhem perfil: atingem jovens e idosos, em transações simples do cotidiano.
Na prática, a educação digital significa entender como funcionam os golpes mais comuns, reconhecer os sinais de alerta e saber o que fazer quando algo parece suspeito. Esse conhecimento reduz a chance de cair em uma fraude e aumenta a capacidade de reagir rapidamente quando ela ocorre.
O Brasil tem protocolo entre governo e bancos para combate às fraudes, mas ainda falta uma estratégia nacional coordenada. Enquanto esse cenário avança, a melhor proteção disponível para o cidadão é o conhecimento: entender como os golpes funcionam é o primeiro passo para não cair neles.

