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Mais de 100 conversas privadas com a IA Claude foram vazadas publicamente

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Centenas de conversas de usuários com o Claude, chatbot de inteligência artificial da Anthropic, ficaram acessíveis publicamente por meio de buscadores como Google, Bing, Brave e DuckDuckGo. A descoberta foi feita por usuários do Reddit, que encontraram mais de 200 diálogos distribuídos em pelo menos 25 páginas de resultados de pesquisa, alguns com apenas algumas semanas. 

Entre os conteúdos vazados havia currículos com nome e dados de contato, projetos corporativos detalhados e pesquisas confidenciais da área da saúde.

O mecanismo não envolveu invasão ao sistema da Anthropic. O caminho foi outro: quando um usuário aciona a função "compartilhar" no Claude, um link público é gerado. Esse link pode ser indexado por mecanismos de busca, tornando a conversa localizável por qualquer pessoa que use um termo de pesquisa específico do site.

O aviso exibido pelo Claude ao compartilhar informa que "qualquer pessoa com o link pode visualizar" o conteúdo, mas não menciona que o endereço pode aparecer em resultados de busca. Essa diferença entre "link de acesso compartilhado" e "conteúdo publicamente indexável" não estava clara para a maioria dos usuários que acionaram o recurso.

O que estava nas conversas indexadas?

Os registros encontrados mostraram diferentes usos do chatbot. Alguns continham currículos com nomes completos e dados de contato. Outros traziam detalhes de projetos corporativos, como uma postagem sobre segurança na nuvem com informações internas de uma empresa. Havia ainda conversas com o que pareciam ser transcrições de interações privadas e pesquisas relacionadas à área da saúde.

O episódio acompanha um padrão já observado em outras plataformas de IA. Em 2025, a OpenAI passou por situação semelhante com registros do ChatGPT e depois alterou a forma de acesso. O Grok, chatbot da plataforma X, também teve centenas de milhares de registros disponibilizados publicamente por meio de buscas online no mesmo ano.

Como a Anthropic resolveu o problema?

A Anthropic usou ferramentas disponíveis para bloquear a indexação dos links nos resultados de busca durante o fim de semana de 26 e 27 de julho. Parte dos registros, porém, já havia sido salva e compartilhada online antes do bloqueio.

Uma porta-voz da empresa afirmou que os links "não eram previsíveis ou detectáveis, a menos que as pessoas optassem por compartilhá-los por conta própria" e que, ao compartilhar uma conversa, o usuário a torna "publicamente acessível, como outros conteúdos públicos da web". O Google esclareceu que não decide quais páginas ficam públicas na internet, essa escolha cabe aos próprios sites, que dispõem de ferramentas para bloquear rastreamento e indexação.

Leia também: Como saber se uma IA está coletando meus dados?

O que fazer para proteger dados ao usar ferramentas de IA?

O episódio mostra que o botão "compartilhar" em qualquer plataforma de IA cria um link com acesso real. Antes de compartilhar uma conversa, vale revisar todo o conteúdo e verificar se há nome, CPF, dados de contato, informações profissionais ou qualquer detalhe que não deveria estar acessível a terceiros.

O hábito de não incluir dados pessoais ou confidenciais em conversas com ferramentas de IA reduz o risco de exposição independentemente das configurações da plataforma. O monitoramento de dados pessoais do Davi avisa quando informações do CPF aparecem em contextos inesperados, ajudando a identificar usos indevidos antes que gerem consequências.

O botão "compartilhar" em ferramentas de IA gera um link que pode ser acessado por qualquer pessoa e, dependendo da plataforma, indexado por mecanismos de busca. Nunca compartilhe uma conversa que contenha nome, CPF, dados profissionais ou informações confidenciais.

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Escrito por:

Mariana Silva
Redatora

Mariana escreve com sensibilidade e pensamento crítico. Cursa Publicidade e Propaganda e fala sobre segurança digital de forma clara e acessível, transformando temas técnicos em informação útil para o dia a dia. Amante de livros de romance e cinema, acredita no poder das palavras para transformar o mundo.