Hackers invadem refrigeração de supermercados na França
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoUm ataque hacker atingiu os sistemas de refrigeração de centenas de supermercados na França e fez freezers e geladeiras esquentarem até 50 °C. Segundo a emissora francesa BFMTV, cerca de 700 estabelecimentos de venda de alimentos foram afetados. Houve perda de produtos frescos e congelados e, em alguns casos, incêndios. As redes confirmaram o episódio na segunda-feira (12).
Os números variam conforme a fonte, porque a contagem ainda está em andamento. Segundo as redes, ouvidas pela agência AFP e pela CNN:
- Intermarché e Netto: ao menos 300 lojas foram alvo do ataque.
- Coopérative U: mais de 100 lojas, de acordo com a rede.
- Carrefour: 80 supermercados afetados.
- Monoprix: cerca de 5% das 490 lojas atingidas.
- E.Leclerc: informou que várias lojas foram atingidas.
Como o ataque aconteceu?
As geladeiras e os freezers dos supermercados são controlados por painéis que podem ser acessados pela internet, o que permite que empresas de manutenção ajustem a temperatura de qualquer lugar. Segundo a BFMTV, os invasores acessaram esses sistemas remotamente e ativaram o degelo forçado em várias lojas.
A Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação da França (ANSSI) informou que os hackers invadiram controladores de pelo menos três fabricantes: a dinamarquesa Danfoss e as americanas Copeland e Dixell. A Danfoss disse ter conhecimento de incidentes na França que afetaram um número limitado de sistemas, que estavam com firmware desatualizado, e afirmou que há tempos orienta os clientes a manter os equipamentos atualizados ou a trocar os mais antigos.

Em agosto, a empresa de cibersegurança Claroty já havia publicado uma pesquisa sobre falhas em controladores da Danfoss que poderiam permitir contornar a autenticação e alterar remotamente a temperatura das geladeiras.
Qual foi o prejuízo para os supermercados?
Não há estimativa de perdas para o setor como um todo. O presidente-executivo do Intermarché, Thierry Cotillard, disse à BFM TV que o ataque representa perdas de "dezenas de milhões de euros" em todo o país em um único dia. A rede informou que as lojas afetadas precisarão descartar todos os produtos frescos e congelados.
A Procuradoria de Paris classificou o caso como um ataque "de grande escala" contra geladeiras conectadas de grandes redes de alimentos. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, mandou a ANSSI investigar o caso, segundo uma fonte do gabinete ouvida pela Reuters.
O ministro da Economia, Roland Lescure, afastou o risco de falta de alimentos no país, mas chamou o episódio de "alerta para todos" e pediu mais proteção digital. Até o momento, ninguém reivindicou o ataque, e não houve pedido de resgate. A França coordena a apuração com outros países europeus, porque outras nações também podem ter sido afetadas. Um analista da Sekoia disse que Espanha, Portugal, Polônia, Alemanha e Bélgica também registraram casos.
Para quem acompanha a segurança digital, o episódio mostra que equipamentos conectados à internet sem atualização e sem proteção podem ser porta de entrada para ataques que vão além do roubo de dados. Segundo o especialista em segurança Ken Munro, o risco direto para os consumidores é limitado, e o principal problema é o prejuízo com a perda de alimentos.
