Guardião Digital
WhatsApp ganha recurso de detecção de golpes por IA
Edição nº 58 ·
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Gustavo Marquini
CEO do Davi
Bom dia! ☀️
Essa semana vi algumas notícias controversas sobre inteligência artificial e quis trazer essa reflexão para vocês: a mesma tecnologia que pode criar novas camadas de proteção também pode ser usada para espalhar desinformação e aprimorar golpes.
De um lado, o WhatsApp começou a testar um recurso de IA capaz de identificar sinais de possíveis fraudes nas conversas. Do outro, estudos mostram que chatbots ainda podem apresentar informações falsas, especialmente em temas sensíveis como eleições.
Nesta edição, vamos falar sobre os dois lados dessa evolução, além de uma tentativa de fraude milionária contra a Stone. Porque, quando a tecnologia avança, a nossa atenção também precisa evoluir.
Pegue seu café e vem com a gente entender o que está acontecendo no mundo da segurança digital. ☕
WhatsApp ganha recurso de detecção de golpes por Inteligência Artificial
O WhatsApp começou a testar um novo recurso que usa IA para identificar possíveis golpes dentro do aplicativo.
A ferramenta, chamada Alerta de Golpe (Scam Alert), analisa padrões de conversas suspeitas e pode avisar o usuário quando uma mensagem recebida de um contato desconhecido parece seguir o roteiro de uma fraude. A ideia é simples: antes que você clique em um link falso, envie um Pix ou compartilhe um código de segurança, o aplicativo tenta dizer: “calma, isso parece um golpe.”
O recurso funciona com um modelo de aprendizado de máquina que roda no próprio dispositivo e, segundo a Meta, foi desenvolvido para preservar a criptografia de ponta a ponta das conversas. O conteúdo das mensagens não é enviado aos servidores para a análise automática.
Na prática, a ferramenta procura sinais comuns de golpes, como conversas iniciadas por desconhecidos, pedidos urgentes, tentativas de criar confiança rapidamente ou padrões já associados a fraudes conhecidas.
Em um cenário onde 64% dos golpes acontecem pelo WhatsApp, segundo o relatório O Estado dos Golpes Brasil 2026, da Global Anti-Scam Alliance (GASA), torna-se cada vez mais importante incorporar tecnologias de detecção e prevenção diretamente nos canais onde as fraudes acontecem.
Um estudo pra quem achou que chatbots de IA iriam se comportar nas eleições de 2026
Se você acha uma boa ideia perguntar para um chatbot quem são os candidatos, quais são as regras da eleição ou até em quem deveria votar, temos uma má notícia.
Um estudo da organização Ekō testou ChatGPT, Gemini, Grok e Meta AI com 25 perguntas sobre as eleições brasileiras e encontrou respostas erradas, informações desatualizadas, teorias da conspiração e até recomendações de voto.
Os pesquisadores criaram três perfis: um de extrema direita, outro como progressista e um neutro. Os quatro chatbots receberam as mesmas 25 perguntas em português, entre 24 de junho e 1º de julho.
A ideia era descobrir se a resposta mudava dependendo de quem estava perguntando. Mudou.
O estudo encontrou respostas diferentes para perfis políticos diferentes e casos em que os chatbots acabaram reforçando a visão de mundo apresentada pelo usuário.
Mas os problemas não pararam aí.
A Meta AI apresentou a maior taxa de erros, com 24% das respostas classificadas como parcialmente ou totalmente incorretas.
O ChatGPT teve 12% de respostas com algum nível de erro, o mesmo percentual registrado pelo Grok. O Gemini apresentou 8%.
E talvez o resultado mais preocupante esteja em outro ponto: ChatGPT, Grok e Gemini recomendaram, direta ou indiretamente, votos em candidatos ou partidos, segundo a pesquisa.
Isso chama atenção porque a própria legislação eleitoral brasileira proíbe sistemas de IA de sugerir, ranquear, favorecer ou recomendar candidatos.
Por isso, fica a dica para 2026: quando o assunto for eleição, confirme a informação em fontes oficiais antes de acreditar, compartilhar ou tomar qualquer decisão com base nela.
Golpe do um centavo: criminosos usam pequenos Pix para iniciar fraudes maiores
A cada 5 segundos acontece uma nova fraude bancária no Brasil. Ou seja: enquanto você lê este texto, alguém pode estar sendo alvo de uma tentativa de golpe.
Entre as novas estratégias usadas por criminosos está o golpe do um centavo. O esquema começa com uma transferência de valor muito baixo (geralmente R$ 0,01) feita para a vítima.
O objetivo não é o dinheiro, mas sim usar a movimentação como uma forma de abordagem. A partir daí, os golpistas podem entrar em contato se passando por funcionários de bancos, alegando identificar uma transação suspeita e tentando conseguir informações ou acesso à conta.
Em um dos casos recentes, uma vítima perdeu R$ 50 mil após receber uma ligação de um suposto gerente bancário e agora busca recuperar o valor na Justiça.
Desconfie de ligações sobre Pix ou movimentações inesperadas. Nunca informe senhas, códigos ou dados de acesso. Bancos não pedem transferências para “cancelar” ou “proteger” sua conta. Em caso de dúvida, procure o banco pelos canais oficiais.
Registradora da Stone barra fraude de R$ 350 milhões
A TAG, registradora de recebíveis criada pela Stone, identificou e bloqueou uma tentativa de fraude estimada em R$ 350 milhões envolvendo recebíveis de grandes empresas.
Segundo informações divulgadas, criminosos conseguiram se credenciar na rede da empresa como participantes do ecossistema de cartões e tentaram alterar a titularidade de recebíveis que pertenciam a companhias como Uber e Netflix. A movimentação tinha como objetivo transferir esses valores para os fraudadores e, posteriormente, convertê-los em dinheiro.
A tentativa foi identificada antes que qualquer operação irregular fosse concluída. De acordo com a empresa, não houve prejuízo financeiro, exposição de dados ou liquidações indevidas relacionadas ao caso. As instituições envolvidas foram comunicadas e os participantes suspeitos foram desligados do sistema.
As registradoras de recebíveis são infraestruturas autorizadas pelo Banco Central responsáveis pelo registro de valores de vendas realizadas com cartões de crédito e débito, permitindo o controle e a negociação desses recebimentos no sistema financeiro.
O caso chama atenção para a atuação de criminosos contra ambientes corporativos e sistemas financeiros, que passaram a ser alvos de tentativas de manipulação envolvendo grandes volumes de recursos.