Governos e empresas tiram sites do ar após falhas no PHP
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoAgências governamentais e empresas de todo o mundo tiraram sites do ar na quarta-feira (21) depois que vieram à tona duas falhas críticas no PHP, linguagem de programação que serve de base para boa parte da internet, segundo a AFP.
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) pediu que as organizações apliquem imediatamente as correções ou desconectem os sistemas vulneráveis. Segundo a agência, as falhas costumam dar acesso direto ao sistema de arquivos ou ao banco de dados do servidor, e invasores poderiam assumir o controle sem precisar de senha.
O que aconteceu com os sites?
O PHP está na base de lojas virtuais, veículos de comunicação e serviços do governo. A empresa de segurança Wiz estima que a linguagem seja usada em cerca de 70% dos sites do mundo.
Segundo a BBC News Brasil, a Wikimedia, que mantém a Wikipédia, desativou vários sistemas por precaução. O governo da Finlândia, a prefeitura de Edimburgo, a agência de segurança cibernética da Holanda e a própria BBC também tiraram sites do ar por um período.
Os detalhes técnicos das falhas vazaram na internet na terça-feira (20), um dia antes da data prevista para a liberação da correção. O vazamento provocou uma corrida para retirar sites do ar. A correção foi divulgada na quarta-feira por voluntários do projeto.
Como a IA entrou na história?
As falhas foram reportadas em agosto, segundo a AFP, pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, que as encontraram de forma independente. Depois, a Wiz disse ter achado outras formas de tirar proveito das vulnerabilidades. As falhas ficaram em sigilo enquanto a correção era preparada.
A OpenAI classificou a descoberta como uma das vulnerabilidades de maior impacto dos últimos tempos. Um engenheiro da PHP Foundation disse ao Wall Street Journal que é o problema mais grave do PHP em mais de uma década. A fundação pede que quem usa PHP atualize imediatamente.
A Amazon afirmou ter sido alvo de várias tentativas de ataque dias antes da divulgação pública. Não se sabe como os hackers souberam da falha.
O que fazer?
A responsabilidade de corrigir é principalmente de quem opera os sites. Os usuários, por sua vez, podem seguir alguns cuidados, conforme especialistas ouvidos pela BBC:
- Avisos de segurança: fique atento a comunicados dos serviços afetados, como pedidos para trocar a senha.
- Mensagens de phishing: desconfie de mensagens que aproveitem a repercussão do caso para pedir dados ou cliques em links.
O caso reforça a importância de manter sistemas e aplicações atualizados, já que falhas de segurança podem colocar sites, serviços e dados em risco. Embora a correção seja responsabilidade dos administradores das plataformas, os usuários também devem ficar atentos a comunicados oficiais e evitar links suspeitos que usem o episódio para aplicar golpes. Em um cenário em que a inteligência artificial ajuda tanto a identificar vulnerabilidades quanto a explorar brechas, a prevenção e a resposta rápida são fundamentais para reduzir os riscos digitais.
