Golpes com deepfake disparam 830% no Brasil

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O uso de conteúdo sintético em fraudes no Brasil saltou 830% entre 2024 e 2025. Em 2026, ele já aparece em 6,5% de todas as fraudes detectadas no país, contra 0,1% em março de 2025. Os dados são da Polícia Federal, da Febraban e de levantamentos próprios da VU, empresa global de identidade digital e prevenção de fraudes. Eles foram apresentados no Evento Deepfake 2026, realizado pela VU em parceria com a Globant, em São Paulo. Segundo o levantamento, os golpes com inteligência artificial causaram R$1,8 bilhão de prejuízo entre julho de 2025 e abril de 2026, e 42,5% das fraudes financeiras registradas no Brasil em 2025 usaram alguma ferramenta de IA. Boa parte desses golpes começa com uma vítima enganada do outro lado da tela.

Um dos dados mais preocupantes é sobre a nossa capacidade de perceber o golpe: estudos mostram que só 0,1% das pessoas conseguem identificar corretamente todos os deepfakes em meio a conteúdos reais. Ou seja, confiar só no olho e no ouvido já não basta.

Segundo a VU, os criminosos usam o deepfake de duas formas principais:

Enganando você

O golpista usa um rosto ou uma voz falsa para se passar por alguém de confiança, como um filho, um amigo ou um atendente do banco. Com técnicas de engenharia social, ele convence a vítima a fazer um Pix, passar dados ou liberar um acesso.

Enganando o banco no seu lugar

O criminoso usa fotos, vídeos e dados da vítima para se passar por ela em sistemas de reconhecimento facial, prática conhecida como spoofing, e assim abrir contas, contratar empréstimos ou movimentar dinheiro em nome de outra pessoa. Nos casos mais sofisticados, a mídia falsa é inserida direto no aplicativo, sem passar pela câmera do celular.

De acordo com a VU, no segundo semestre de 2025 esse tipo de ataque contra iPhones disparou 1.151%, com crescimento de 741% no acumulado do ano.

Os golpes mais usados contra o público:

O levantamento da VU mapeou alguns dos métodos mais usados hoje por criminosos no Brasil para aplicar golpes com identidade falsa:

  • Voz clonada e videochamada falsa: com poucos segundos de áudio tirados das suas redes sociais, golpistas imitam a voz de um parente ou fazem videochamadas com rosto trocado em tempo real para aplicar o golpe do Pix urgente.
  • Falsa central de atendimento: call centers inteiramente clonados, com vozes sintéticas, simulam o banco para convencer a vítima a transferir dinheiro ou confirmar dados.
  • Golpe do falso entregador: o criminoso aparece com uma entrega falsa e pede uma biometria facial no celular para "liberar o pacote". Na prática, o rosto capturado é usado para validar um empréstimo bancário em nome da vítima.

O tamanho do problema na vida real

A VU analisou 110.396 verificações de reconhecimento facial em apenas seis dias, num ambiente real de pagamentos digitais. Em 0,45% delas havia conteúdo falso, o equivalente a 1 em cada 220 tentativas. Em alguns casos, foram necessárias até três verificações independentes para barrar o golpe, o que mostra que nenhuma barreira sozinha dá conta.

Como se proteger?

  1. Desconfie da urgência: pedido de Pix com pressa, mesmo com a voz ou o rosto de alguém conhecido, é o principal sinal de golpe.
  2. Confirme por outro canal: desligue e ligue você mesmo para a pessoa ou para o número oficial do banco.
  3. Combine uma palavra-chave com a família: uma senha verbal que só vocês conhecem ajuda a desmascarar a voz clonada.
  4. Nunca faça biometria facial a pedido de terceiros: entregador, atendente ou "funcionário" não precisa do seu rosto para nada.
  5. Reduza a exposição: deixe perfis privados e evite postar vídeos e áudios longos da sua voz em público.

Segundo Sebastián Stranieri, CEO e fundador da VU, um dos maiores pontos fracos no Brasil é que ainda se validam identidades com dados como CPF, RG e data de nascimento, que já estão amplamente vazados na dark web. Por isso, quem pede esses dados não prova que é quem diz ser.

Descubra se seus dados vazaram na Dark Web

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Escrito por:

Mariana Silva
Redatora

Mariana escreve com sensibilidade e pensamento crítico. Cursa Publicidade e Propaganda e fala sobre segurança digital de forma clara e acessível, transformando temas técnicos em informação útil para o dia a dia. Amante de livros de romance e cinema, acredita no poder das palavras para transformar o mundo.