Deepfake corporativa: 61% dos brasileiros temem cair em golpes
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoUma ligação de vídeo com o rosto e a voz do diretor financeiro pedindo uma transferência urgente. Uma mensagem de áudio do CEO autorizando um pagamento fora do horário comercial. Situações como essas deixaram de ser cenário hipotético dentro das empresas brasileiras. Uma pesquisa da KnowBe4, referência mundial em segurança digital para força de trabalho, revelou que 61% dos profissionais do Brasil admitem que poderiam ser enganados por um golpe sofisticado de deepfake que imitasse um executivo ou outro stakeholder interno da companhia.
Leia também: Como treinar funcionários para reconhecer golpes digitais
Por que o deepfake corporativo preocupa tanto?
O relatório "From Agentic Risk to Human Wins", divulgado em julho de 2026, mostra que o vetor de ameaça nas empresas mudou de forma significativa. O phishing tradicional, baseado em e-mails com erros e links suspeitos, vem perdendo espaço para manipulações de voz e vídeo geradas por inteligência artificial, quase indistinguíveis do conteúdo real.
Segundo a pesquisa, 90% dos profissionais brasileiros afirmam que os conteúdos de voz e vídeo gerados por IA se tornaram tão realistas que já é difícil saber em que confiar. Esse dado ajuda a explicar por que as defesas cognitivas humanas, historicamente eficazes contra e-mails fraudulentos evidentes, estão falhando diante de conteúdos criados por máquinas.
As organizações também enfrentam outro obstáculo: os ataques deixaram de ocorrer em ritmo humano e passaram a ser automatizados em larga escala. Isso significa que:
Múltiplos canais são atacados ao mesmo tempo
E-mail, SMS e aplicativos de colaboração corporativa podem receber tentativas de fraude simultâneas direcionadas aos mesmos funcionários.
A velocidade de resposta das empresas não acompanha a evolução do ataque
O relatório aponta baixa maturidade operacional das organizações brasileiras para lidar com esse tipo de ameaça em múltiplas etapas.
O alvo preferencial são pessoas com poder de decisão
Funcionários que autorizam pagamentos, aprovam contratos ou têm acesso a sistemas financeiros costumam ser o foco das simulações.
"Para alcançar resultados positivos, as organizações devem projetar sistemas capazes de guiar o comportamento, construir culturas de apoio e mudar de uma abordagem baseada em rastreamento de falhas para uma que reforce ações positivas, estendendo a mentalidade de segurança tanto para agentes de IA quanto para humanos", afirma Rafael Peruch, Consultor Técnico de CISO para a América Latina na KnowBe4.
Como identificar uma tentativa de deepfake corporativa?
Reconhecer um golpe desse tipo exige atenção a detalhes que fogem do padrão de comunicação da empresa. Antes de agir em qualquer solicitação recebida por vídeo, áudio ou mensagem, vale observar:
Sinais de alerta em chamadas e mensagens:
- Urgência incomum: pedidos que exigem ação imediata, sem espaço para verificação, especialmente envolvendo pagamentos ou transferências.
- Canal fora do padrão: contato feito por um aplicativo ou número que a empresa normalmente não usa para esse tipo de solicitação.
- Restrição de verificação: a pessoa do outro lado evita chamadas de vídeo ao vivo ou inventa justificativas para não confirmar a identidade por outro canal.
- Pequenas inconsistências visuais ou sonoras: piscar de olhos irregular, movimentos labiais fora de sincronia com o áudio ou entonação de voz levemente diferente da habitual.
O que fazer diante de uma suspeita de deepfake corporativa?
Antes de executar qualquer solicitação sensível recebida por vídeo, áudio ou mensagem, confirme a informação por um segundo canal já conhecido, como uma ligação para o número cadastrado da pessoa ou uma mensagem pelo sistema interno da empresa. Esse processo de verificação dupla é uma das defesas mais eficazes contra fraudes desse tipo, incluindo tentativas que também usam técnicas de phishing para induzir o clique em links maliciosos antes da abordagem por deepfake.
Como as empresas podem se proteger?
Reduzir o risco de cair em um golpe de deepfake corporativo depende de uma combinação de processos internos e cultura organizacional:
- Estabeleça protocolos de verificação para pagamentos: qualquer transferência ou autorização financeira solicitada por vídeo, áudio ou mensagem deve passar por confirmação em um segundo canal antes da execução.
- Treine equipes regularmente: funcionários com acesso a sistemas financeiros e decisões estratégicas devem conhecer os sinais de um possível deepfake.
- Reforce a cultura de checagem sem punição: colaboradores devem se sentir confortáveis para questionar uma solicitação suspeita, mesmo que pareça vir de um superior, sem medo de represália.
- Monitore o uso de identidade corporativa: acompanhar menções à marca e a executivos em ambientes digitais ajuda a identificar tentativas de uso indevido de imagem e voz antes que se transformem em fraude.
A exposição de dados pessoais de executivos e funcionários em vazamentos anteriores facilita a criação de deepfakes convincentes, já que golpistas usam informações reais para tornar a simulação mais crível.
Conclusão
O avanço da inteligência artificial generativa tornou o golpe de deepfake corporativo uma ameaça concreta para empresas de todos os portes no Brasil. Com 61% dos profissionais admitindo que poderiam ser enganados, a defesa não pode depender apenas da percepção individual de cada funcionário. Protocolos claros de verificação, treinamento constante e uma cultura organizacional que valorize a checagem antes da ação são o caminho mais seguro para reduzir esse risco.
Perguntas frequentes
O que é um deepfake corporativo?
O que é um deepfake corporativo?
Por que os deepfakes corporativos são mais difíceis de identificar?
Por que os deepfakes corporativos são mais difíceis de identificar?
Como confirmar se uma solicitação é legítima?
Como confirmar se uma solicitação é legítima?
Quem deve receber treinamento sobre esse tipo de golpe?
Quem deve receber treinamento sobre esse tipo de golpe?
