Desligue o Wi-Fi ao sair de casa, alertam as agências internacionais
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoAgências internacionais de cibersegurança passaram a recomendar que usuários desliguem o Wi-Fi do celular ao sair de casa, alerta que ganha força diante do aumento de ataques e vulnerabilidades em redes públicas e inseguras. Especialistas apontam que manter a conexão sem fio ativa fora de ambientes confiáveis pode expor o aparelho a malwares, interceptação de dados e outros riscos de segurança digital.
A recomendação tem como objetivo reduzir brechas que podem ser exploradas por cibercriminosos.
Como as redes abertas podem infectar meu aparelho?
Especialistas explicam que, mesmo sem o usuário perceber, smartphones podem tentar se conectar automaticamente a redes abertas ou previamente salvas.
Esse comportamento facilita ataques conhecidos como "evil twin" (tradução livre para o "Gêmeo Maligno"), uma ameaça cibernética que ocorre quando criminosos criam redes falsas com nomes semelhantes aos de estabelecimentos legítimos para interceptar dados por meio de conexões públicas inseguras.
Outro ponto de atenção é que o Wi-Fi ativado permite que o dispositivo continue enviando sinais em busca de redes disponíveis, o que pode expor informações técnicas do aparelho e abrir caminho para tentativas de invasão. Em alguns casos, vulnerabilidades do sistema operacional podem ser exploradas mesmo sem que o usuário efetivamente se conecte a uma rede maliciosa.
Quais golpes podem ocorrer após o uso de Wi-Fi público?
O uso de redes Wi-Fi públicas pode representar riscos significativos à segurança digital, principalmente quando não há proteção adequada ou criptografia na conexão.
Segundo o especialista em segurança digital e tecnologia Wally Niz, ambientes abertos facilitam a ação de criminosos virtuais que exploram vulnerabilidades para interceptar dados e aplicar golpes. Conheça alguns deles:
Man-in-the-Middle
Nesse tipo de ataque, o criminoso cria uma rede falsa com nome semelhante ao da rede original, como a de um aeroporto ou cafeteria, e intercepta toda a comunicação realizada pela vítima. Assim, consegue capturar senhas, dados bancários e outras informações sensíveis, podendo inclusive redirecionar os dados para servidores fraudulentos.
Sniffing
O sniffing ocorre quando o golpista utiliza ferramentas para monitorar o tráfego de dados em redes públicas sem criptografia. Dessa forma, é possível visualizar informações trafegadas pelo usuário, como logins e mensagens, aumentando o risco de invasões e fraudes.
Phishing
No phishing, criminosos enviam e-mails se passando por bancos ou empresas conhecidas pela vítima. Ao clicar no link presente na mensagem, ela é redirecionada para páginas falsas que imitam sites oficiais. Ao inserir seus dados nesses ambientes fraudulentos, a vítima acaba entregando suas credenciais diretamente aos criminosos, o que pode resultar em prejuízos financeiros e vazamento de informações pessoais.
Como se proteger dos ataques via Wi-Fi público?
A CERT-FR (Equipe Francesa de Resposta a Emergências Informáticas) e a CISA (Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura) também reforçam que a prática de desligar o Wi-Fi ao sair de casa deve vir acompanhada de outras medidas de proteção, como:
- Manter o sistema do celular sempre atualizado.
- Evitar redes públicas sem senha.
- Utilizar autenticação em dois fatores .
- Ter aplicativos Antivírus.
- Usar uma VPN (Rede Privada Virtual) para proteger o endereço IP e outros dados de acesso para a conexão.
- Desconfiar de links ou páginas que solicitem dados sensíveis.
Embora pareça uma atitude simples, desativar o Wi-Fi quando não estiver em uso é apontado como uma camada adicional de segurança, especialmente em um cenário de aumento de ataques digitais e golpes que exploram distrações do dia a dia.

