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Guardião Digital

Servidores do MPF vítimas de phishing?

Edição nº 62 ·

Gustavo Marquini

CEO do Davi

Bom dia! 🔅

Nesta edição:

  • Caso Master: logins de servidores do MPF foram usados para acessar informações sigilosas
  • Origem Verificada: BB adota tecnologia para identificar ligações e combater golpes
  • IA em alta: até líderes do setor discutem os riscos do avanço acelerado da tecnologia
  • Segurança reativa: por que tanta gente só procura ajuda depois de cair em golpes?
  • Enquete: você confere primeiro ou resolve logo quando algo parece suspeito?
  • Modo Offline: Inventando Anna, a série sobre uma identidade construída para enganar pessoas e instituições

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Vorcaro usava logins de servidores do MPF para obter informações sigilosas sobre investigação do caso Master

Durante a análise de conversas do banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal identificou o uso de logins funcionais de servidores do Ministério Público Federal para acessar processos sigilosos relacionados ao caso Master.

Segundo relatório da PF, as credenciais de terceiros teriam sido usadas para fazer consultas não autorizadas e extrair documentos sobre investigações envolvendo o banqueiro.

O relatório aponta que parte dos procedimentos consultados estava sob sigilo. Grande parte dos acessos foram feitos usando o login de Alina Franco Boueres de Araújo, uma servidora do MPF lotada na procuradoria da República do Maranhão.

Em nota, o MPF do Maranhão informou que a servidora foi vítima de phishing.

A Polícia Federal ainda deve aprofundar as investigações para descobrir como Vorcaro teve acesso às credenciais: se as contas dos servidores foram invadidas ou se os próprios servidores compartilharam os dados de acesso.

Banco do Brasil adota ferramenta para identificar ligações e combater golpes

O Banco do Brasil começou a usar a tecnologia Origem Verificada para ajudar clientes a identificar quando uma ligação realmente partiu do banco.

A novidade vale para chamadas feitas pelo número 4003-3001. A tecnologia adiciona uma assinatura digital ao número e a operadora verifica essa informação antes de entregar a chamada. Quando a autenticação é confirmada, o celular pode mostrar que o contato foi feito pelo BB.

A iniciativa ajuda a combater um problema comum nos golpes por telefone: o spoofing, técnica que permite falsificar o número exibido na tela e fazer uma ligação parecer vir de uma instituição conhecida.

Mas tem um detalhe importante: a identificação da chamada não substitui os cuidados de sempre. O BB afirma que não pede senhas, códigos de autenticação, instalação de aplicativos ou acesso remoto ao celular durante ligações.

O mundo (e até o CEO da Anthropic) está preocupado com tanta IA

A inteligência artificial avança rápido. Talvez rápido demais para alguns dos próprios líderes do setor.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um artigo defendendo que as empresas diminuam o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados. A ideia é dar tempo para que o trabalho de segurança acompanhe o aumento de capacidade dos sistemas.

Entre as propostas estão avaliações independentes, padrões comuns entre empresas e cooperação internacional, e a Anthropic já se comprometeu com o primeiro passo, abrindo seus sistemas a avaliadores externos.

A repercussão foi dividida: houve apoio de outros executivos do setor e também críticas de que o plano depende de avaliadores sem poder real de cobrança.

Mas a pergunta que acompanha cada novo avanço continua: os mecanismos de segurança estão evoluindo na mesma velocidade que a tecnologia?

Enquanto o debate sobre riscos futuros ocupa os holofotes, há um problema que já está em curso: a IA derrubou o custo de aplicar golpes.

O e-mail cheio de erros de português era um alerta gratuito para a vítima, mas acabou. Hoje dá para produzir mensagens impecáveis, no tom exato de um chefe ou de um banco, e a clonagem de voz e vídeo fez o mesmo com a ligação do "parente em apuros".

Clonar o site de um banco virou questão de minutos. E sistemas capazes de executar tarefas sozinhos aproximam do amador o que antes exigia equipes especializadas.

Não são golpes inéditos. São os mesmos de sempre, agora mais baratos, mais convincentes e em maior quantidade. Se a mesma IA que escreve o golpe também pode detectá-lo, quem está correndo mais rápido nessa disputa?

Segurança reativa: brasileiros só buscam ajuda após sofrerem golpes na rede

Um levantamento realizado pela Certta em parceria com a Nexus revela que o debate sobre segurança digital no Brasil é predominantemente reativo, com somente 11% das interações nas redes sociais focadas em prevenção.

Ou seja, a grande maioria dos brasileiros busca auxílio ou realiza denúncias só depois de sofrer um prejuízo financeiro.

Termos como “como denunciar” também são mais buscados do que “como evitar” golpes.

O Instagram concentra 78% das discussões analisadas, enquanto o X reúne o maior número de usuários únicos entre as plataformas consideradas pelo estudo.

Para os pesquisadores e especialistas ouvidos pela VEJA, o cenário reforça a necessidade de transformar segurança digital em uma preocupação anterior ao golpe, e não apenas em uma resposta ao prejuízo.

Enquete

Como você reage quando aparece uma situação suspeita?

“Calma. Vou conferir primeiro.” Você desconfia de links, mensagens inesperadas e pedidos urgentes antes de tomar uma decisão.

“Parece certo, vou resolver logo.” Você prefere agir rapidamente quando a situação parece simples ou urgente.

Nem sempre é fácil saber se uma mensagem, link ou oferta é verdadeira. Por isso, o Davi criou o É golpe, uma IA que ajuda você a analisar situações suspeitas e identificar sinais que podem indicar uma tentativa de golpe.

Na dúvida, pergunte antes de agir.

Baixe o App Davi e conheça o É golpe.

Modo OfflineToda semana, uma indicação de filme, série ou livro do universo da tecnologia e da segurança digital.

Inventando Anna

Pôster da minissérie Inventando Anna: a atriz de óculos e algemada ao lado do título.

Até onde alguém consegue chegar criando uma identidade que não existe?

Anna Delvey se apresentou à alta sociedade de Nova York como uma rica herdeira alemã e, com uma história convincente, conquistou a confiança de pessoas, hotéis e instituições. A série acompanha a trajetória real por trás de uma das farsas que mais chamaram atenção nos Estados Unidos.

A história foi adaptada para a televisão por Shonda Rhimes, criadora e produtora executiva de Grey's Anatomy.

Formato: Minissérie, 1 temporada

Onde assistir: Netflix

Conhece alguém que precisa ficar de olho nesses golpes? Mande esta edição.

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Toda quinta, os golpes que começaram a circular e como não cair neles. Leitura de 5 minutos.