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Guardião Digital

PIX é o meio de pagamento mais usado em golpes

Edição nº 50 ·

Gustavo Marquini

CEO do Davi

Olá!

Nesta edição, você vai entender por que o Pix se tornou o meio de pagamento preferido dos golpistas, o que já se sabe sobre o ataque hacker que disparou um falso alerta para milhões de brasileiros, os golpes que mais cresceram nos últimos dias e como uma simples ação de um funcionário levou ao vazamento de dados de quase 6 milhões de clientes de uma das maiores empresas de cruzeiros do mundo.

Pix é o principal meio de pagamento usado em golpes online, aponta estudo

Promessas de dinheiro fácil e pagamentos via Pix continuam entre as estratégias mais usadas por criminosos para aplicar golpes na internet. É o que mostra a segunda edição do relatório A Jornada dos Golpes, do Observatório Lupa.

O levantamento analisou 115 golpes que viralizaram entre 2024 e 2026 e identificou que cerca de um terço deles exigia pagamentos exclusivamente por Pix. Além disso, 71% das fraudes prometiam algum tipo de ganho financeiro, como indenizações, benefícios ou recompensas falsas.

Os golpistas também costumam usar nomes de empresas e instituições conhecidas para aumentar a credibilidade das armadilhas. Segundo o estudo, marcas famosas apareceram em 74% dos casos analisados.

O WhatsApp foi identificado como o principal canal de disseminação dos golpes, presente em quase 65% das ocorrências. Para os pesquisadores, os criminosos continuam reutilizando fórmulas já conhecidas, adaptando as mensagens a temas do momento para atrair novas vítimas.

'Misantropia': CPF de servidor público foi usado como senha para invadir sistema da Defesa Civil, diz suposto hacker

No último sábado (20), cerca de 30 milhões de brasileiros receberam um falso alerta extremo da Defesa Civil contendo apenas a palavra "Misantropia", termo que significa aversão à humanidade.

Segundo o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Wolnei Wolff, a mensagem foi enviada após uma invasão à plataforma utilizada para o disparo dos alertas.

A Polícia Federal instaurou uma investigação preliminar para apurar as circunstâncias do caso e identificar os responsáveis pelo ataque.

De acordo com uma nota informativa divulgada pelas autoridades, há indícios de que os invasores utilizaram credenciais de acesso de forma indevida. A apuração também aponta que o agente conseguiu operar o sistema sem as restrições territoriais previstas, emitindo ou tentando emitir alertas para regiões fora da sua área de autorização.

Em mensagens divulgadas nas redes sociais, um suposto responsável pelo ataque afirmou ter acessado a plataforma utilizando o CPF de servidores públicos como senha.

Segundo ele, o conjunto utilizado para enviar as notificações envolveria os acessos de três servidores públicos, um com permissões de alertar oito Estados, outro autorizado a alertar o Rio de Janeiro e um último a Curitiba.

Golpes em alta

Golpe da renda extra pelo WhatsApp

Promessas de ganhos fáceis continuam atraindo vítimas nas redes sociais e aplicativos de mensagens. No golpe da renda extra, criminosos entram em contato pelo WhatsApp se passando por empresas de marketing e oferecem pagamentos de até R$ 1.500 por dia para realizar tarefas simples, como curtir vídeos ou avaliar produtos.

Para ganhar a confiança da vítima, os golpistas costumam fazer pequenos pagamentos iniciais via Pix. Depois, passam a exigir depósitos para liberar supostos ganhos maiores ou acessar novos níveis de trabalho. Segundo levantamento recente, o número de grupos ligados a esse golpe cresceu 75% nos últimos 15 meses.

Phishing por QR Code em PDFs

Uma nova modalidade de phishing está ganhando força entre os criminosos digitais. Em vez de enviar links suspeitos, os golpistas distribuem documentos em PDF contendo QR Codes que direcionam a vítima para páginas falsas de bancos, empresas ou serviços online.

De acordo com dados do setor de cibersegurança, esse tipo de ataque cresceu 146% no primeiro trimestre de 2026. Ao escanear o código, a vítima pode ser levada a informar senhas, dados bancários ou códigos de autenticação, entregando o acesso diretamente aos criminosos.

Ameaças corporativas

Após enganar funcionário, hackers vazam dados de 6 milhões de clientes de operadora de cruzeiros

A Carnival Corporation, maior operadora de cruzeiros do mundo, confirmou que dados pessoais de quase 6 milhões de pessoas foram comprometidos em um ataque cibernético.

O incidente começou após um funcionário da empresa ser alvo de um golpe de engenharia social e conceder acesso a parte dos sistemas internos da companhia.

Segundo a Carnival, um invasor se passou por uma pessoa de confiança para convencer o colaborador a fornecer credenciais ou abrir caminho para o acesso não autorizado.

A chamada engenharia social é uma das técnicas mais utilizadas por cibercriminosos. Em vez de explorar falhas tecnológicas, os golpistas manipulam funcionários para que eles mesmos forneçam informações sensíveis ou permitam o acesso a sistemas corporativos. Essas abordagens costumam ocorrer por e-mail, telefone, aplicativos de mensagens ou até videoconferências que simulam comunicações legítimas.

Após identificar a atividade suspeita, a empresa afirmou ter bloqueado o acesso indevido e acionado especialistas externos para conduzir a investigação.

Os criminosos alegam ter roubado terabytes de informações da Carnival e afirmam que as negociações com a empresa fracassaram. Em uma publicação no site utilizado pelo grupo para divulgar vítimas de extorsão, os hackers escreveram que "a empresa não chegou a um acordo conosco apesar de nossa paciência" e concluíram: "eles não ligam".

Conhece alguém que precisa ficar de olho nesses golpes? Mande esta edição.

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