Guardião Digital
Novo malware altera destinatário do Pix durante transferência
Edição nº 37 ·
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Gustavo Marquini
CEO do Davi
Malware altera chave Pix do destinatário e desvia transferências sem levantar suspeitas
Um novo golpe digital tem chamado a atenção por sua sofisticação: criminosos utilizam malwares capazes de alterar a chave Pix copiada pelo usuário, desviando o dinheiro sem levantar suspeitas.
Entre as ameaças identificadas estão PixRevolution, Venom e GoPix. Esse tipo de malware já era observado em operações como TED e boletos no internet banking, mas ganhou nova escala com o uso crescente do Pix..
Na maioria dos casos, o golpe começa quando o usuário é induzido a baixar um aplicativo falso. Esses apps se passam por plataformas conhecidas, mas instalam um malware no dispositivo. Uma vez ativo, o programa monitora o comportamento do usuário e entra em ação durante uma transação financeira, alterando a chave Pix copiada sem que a vítima perceba.
Na semana passada, o Banco Central alertou instituições financeiras sobre o aumento desse tipo de ataque, que pode funcionar em diferentes aplicativos bancários e não depende de um banco específico para ocorrer.
Para se proteger, evite clicar em links ou baixar arquivos enviados por desconhecidos. Ao instalar aplicativos, prefira sempre as lojas oficiais e leia as políticas de privacidade e os termos de uso antes de conceder permissões ao app.
O golpe do WhatsApp mudou e ficou mais convincente com suporte falso e código de verificação
O golpe do WhatsApp ganhou uma versão ainda mais sofisticada. Agora, os criminosos usam a linguagem de urgência para convencer a vítima de que ela está protegendo a própria conta quando, na verdade, está entregando o acesso a ela.
O roteiro ficou mais sofisticado. Em vez de começar com um pedido aleatório de um “parente”, o criminoso finge ser suporte falso, central de segurança ou equipe de proteção da conta.
Ele fala em tentativa de invasão, denúncia, bloqueio preventivo ou necessidade de confirmação urgente. Para “reverter o problema” o golpista alega que é preciso informar um código.
Esse código é a chave usada para registrar a conta em outro aparelho. Quando a vítima informa a sequência recebida, entrega o acesso ao seu WhatsApp sem perceber.
É justamente por isso que o pedido vem disfarçado de checagem de segurança. O golpista não diz só “me envie o código”, mas cria uma narrativa para parecer confiável e fazer a pessoa agir no impulso.
Nunca compartilhe o código de verificação do WhatsApp com ninguém, nem mesmo com supostos atendentes ou suporte técnico.
Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp para adicionar uma camada extra de segurança na sua conta.
IR 2026: Golpe com chave Pix acende alerta para quem tem restituição a receber
Um novo tipo de fraude envolvendo o uso indevido da chave Pix vinculada ao CPF está preocupando contribuintes justamente no início do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025). O golpe pode fazer com que a restituição seja desviada para a conta de terceiros sem o conhecimento do titular.
Desde 2022, a Receita Federal permite o pagamento da restituição via Pix, desde que a chave informada seja o CPF do contribuinte. A praticidade do modelo, no entanto, também passou a ser explorada por criminosos.
Neste ano, o mecanismo ganhou ainda mais relevância com a ampliação do público apto a receber restituições, incluindo trabalhadores de baixa renda. Esses contribuintes podem ser contemplados por um modelo automático de devolução conhecido como “cashback do IR”, mesmo sem apresentar a declaração de ajuste anual.
Segundo especialistas, o golpe acontece a partir do uso de dados pessoais obtidos de forma irregular. Com essas informações, criminosos conseguem abrir contas bancárias em nome da vítima e vincular o CPF dela como chave Pix. Quando a restituição é processada, o valor acaba sendo direcionado automaticamente para a conta fraudulenta.
Casos reais já foram registrados. A jornalista Amanda Pinheiro de Oliveira, de 30 anos, descobriu que sua restituição havia sido enviada para uma conta desconhecida após consultar o Registrato, sistema do Banco Central do Brasil que permite verificar contas abertas em seu nome.
A Receita Federal reconhece esse tipo de fraude e afirma que criminosos exploram falhas em algumas instituições financeiras para abrir contas com documentos falsos e vincular CPFs de terceiros.
O Banco Central lançou recentemente o BC Protege+, uma ferramenta que permite bloquear a abertura de contas em seu nome sem autorização. Ativar essa opção é uma forma simples de evitar que seus dados sejam usados por criminosos para abrir contas fraudulentas.