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iFood confirma vazamento de dados de 1,2 milhão de usuários

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O iFood confirmou um vazamento de dados que atingiu cerca de 1,2 milhão de usuários da plataforma. Segundo a empresa, apenas informações cadastrais foram expostas, como nome e CPF, sem comprometimento de senhas, dados bancários ou meios de pagamento.

A companhia informou que não realizou comunicação formal sobre o incidente por entender que o ocorrido não representava risco ou dano relevante aos usuários. A empresa afirma seguir adotando medidas de proteção e atuar em conformidade com a LGPD, a Lei Geral de Proteção de Dados.

O incidente ocorreu em dezembro de 2025, mas só veio a público em 28 de maio de 2026, após criminosos anunciarem a venda de informações no BreachForums (fórum da Dark Web para compra e venda de dados roubados). A origem da brecha foi uma vulnerabilidade no SIRA, o sistema Ifood de Respostas à Autoridades, usado para atender requisições judiciais e de órgãos de segurança pública.

Por que nome e CPF expostos preocupam?

Para Pedro Mendonça, professor de Direito da Universidade Anhembi Morumbi, a avaliação de que o incidente é de baixo risco não se sustenta. "Nome e CPF, ainda que não sejam dados sensíveis, já bastam para abertura de contas, contratação de crédito em nome da vítima e golpes que envolvam engenharia social", afirma o especialista.

O risco aumenta quando esses dados são cruzados com informações de outros vazamentos recentes, como telefone e endereço. Essa combinação viabiliza golpes sofisticados.

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Mendonça acrescenta que este vazamento se soma a outros incidentes similares recentes, formando um mercado ilícito de dados da população. "Ainda que o vazamento se limite às informações indicadas pelo iFood, elas podem ser cruzadas com outros dados já disponíveis, aumentando o potencial lesivo ao longo do tempo", explica.

ANPD não foi notificada

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados confirmou que não recebeu comunicação formal do iFood sobre o incidente e passou a cobrar explicações da empresa apenas após a repercussão pública do caso. A LGPD determina que incidentes com potencial de risco aos titulares sejam comunicados à autoridade e aos usuários em até 3 dias úteis.

O iFood justificou a ausência de notificação alegando que o incidente não configurou "risco ou dano relevante". Para Arthur Igreja, especialista em tecnologia, o argumento não se sustenta: "A lei existe e ela preconiza que exista a notificação." 

O Instituto SIGILO, organização dedicada à defesa dos direitos de titulares de dados, anunciou que vai notificar formalmente a ANPD e avalia a propositura de Ação Civil Pública por danos morais coletivos. Usuários que se sentirem prejudicados também podem buscar reparação individualmente na esfera cível, com base nos danos causados pelo incidente.

O que fazer diante do vazamento de dados?

Se você acredita que seus dados podem ter sido expostos, é importante agir rapidamente para reduzir riscos e evitar prejuízos. Algumas medidas simples podem ajudar a identificar fraudes e fortalecer sua proteção digital:

 

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Escrito por:

Mariana Silva
Redatora

Mariana escreve com sensibilidade e pensamento crítico. Cursa Publicidade e Propaganda e fala sobre segurança digital de forma clara e acessível, transformando temas técnicos em informação útil para o dia a dia. Amante de livros de romance e cinema, acredita no poder das palavras para transformar o mundo.