Guardião Digital
Novo serviço de IA revela seus dados a qualquer pessoa
Edição nº 32 ·
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Gustavo Marquini
CEO do Davi
Novo serviço com IA pode expor seus dados pessoais sem você saber
Lembrar aniversários, escolher um presente e resolver a entrega em poucos cliques, sem sair do WhatsApp. Essa é a proposta do PresenteIA, novo serviço lançado pela CRM Bônus em parceria com o iFood.
Na prática, a ferramenta usa inteligência artificial integrada ao WhatsApp para identificar datas de aniversário, sugerir presentes personalizados e viabilizar a entrega, mesmo quando o comprador não sabe o endereço do destinatário.
O problema é que basta enviar o contato de uma pessoa para que o sistema informe a data de aniversário dela.
Embora o endereço não seja exibido diretamente no chatbot, ele pode aparecer na nota fiscal após a conclusão da compra de um presente. Na prática, isso significa que quem pagou pelo presente pode ter acesso ao endereço residencial do aniversariante.
Para o advogado especialista em direito digital Pedro Henrique Santos, pesquisador do Data Privacy Brasil, a principal questão é o consentimento: “A pessoa cujo aniversário é identificado necessariamente autorizou que essa informação fosse disponibilizada a terceiros apenas por constar como contato?”
O debate gira em torno do uso e compartilhamento de dados pessoais armazenados pela empresa e dos limites legais para esse tipo de tratamento. Em um cenário de golpes e vazamentos frequentes, qualquer ferramenta que envolva dados sensíveis exige atenção redobrada.
Golpe do falso gerente bancário
A Federação Brasileira de Bancos alerta que a engenharia social, técnica que explora o emocional da vítima, está entre os métodos mais usados nas fraudes bancárias atualmente.
“O golpe do falso gerente tem se tornado cada vez mais frequente justamente porque os consumidores estão acostumados a manter contato com seus gerentes e, por isso, não estranham a abordagem inicial”, explica a advogada especialista em golpes bancários, Dra. Brunna Simon Vecchi.
Nesse tipo de fraude, o criminoso liga se passando pelo gerente da conta e afirma ter identificado uma transação suspeita. Com tom de urgência, diz que é preciso agir imediatamente para evitar prejuízo. Durante a ligação, solicita dados pessoais, senhas, códigos de verificação ou tokens de segurança — informações que permitem acesso direto à conta da vítima.
O medo e a sensação de emergência são as principais armas do golpista.
Mesmo que a ligação venha com o nome do seu gerente ou até com uma voz parecida, desconfie. Criminosos já utilizam inteligência artificial para clonar vozes e tornar o golpe mais convincente.
Se houver qualquer suspeita de problema na conta, desligue e entre em contato você mesmo com o banco, usando exclusivamente o número oficial disponível no site ou no aplicativo da instituição.
E lembre-se: nenhum banco solicita senha, token ou código de verificação por telefone.
Golpe do falso e-mail da Apple
Usuários da Apple estão sendo alvo de uma nova onda de phishing. O golpe chega por e-mail e imita comunicações oficiais da empresa, usando logotipo, identidade visual e até informações que parecem reais para enganar a vítima.
A mensagem geralmente informa um suposto problema na conta, tentativa de compra na App Store ou bloqueio do ID Apple. O objetivo é fazer a pessoa clicar em um link para “verificar” ou “atualizar” dados.
Ao acessar o site falso, a vítima é induzida a informar login, senha, CPF e dados do cartão de crédito. Com essas informações, os golpistas podem invadir a conta, realizar compras indevidas ou aplicar novos golpes.
A Apple não solicita senha, código de verificação ou dados completos do cartão por e-mail. Se receber uma mensagem suspeita, não clique em links nem baixe anexos.
Empresário do ES atende ligação de 50 segundos e perde R$ 900 mil da empresa em golpe bancário
Um empresário de Cariacica sofreu um prejuízo de R$ 900 mil após uma ligação que durou apenas 50 segundos. Logo depois do contato, a conta bancária da empresa passou a registrar diversas transferências e pagamentos de boletos não autorizados, com valores entre R$ 120 mil e R$ 200 mil.
Em entrevista à TV Vitória, afiliada da Record TV, o empresário relatou que havia feito uma transferência e um pagamento normalmente. Pouco depois, percebeu que o aplicativo bancário foi bloqueado.
Na sequência, recebeu uma ligação de uma pessoa que se apresentou como funcionária do banco e informou sobre supostas movimentações suspeitas. Dias depois, ao conseguir atendimento presencial na agência e acessar o extrato, constatou a dimensão do golpe: R$ 900 mil haviam sido desviados.
O impacto foi direto no caixa da empresa, que atua com projetos e obras de combate e prevenção a incêndios. O caso acende um alerta para empresas de todos os portes: ataques cada vez mais rápidos e sofisticados podem comprometer, em poucos segundos, anos de trabalho e faturamento.