Guardião Digital
MED 2.0: novo mecanismo do Pix não quebra sigilo de usuários
Edição nº 21 ·
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Gustavo Marquini
CEO do Davi
MED 2.0: novo mecanismo do Pix de combate a golpes não quebra sigilo de usuários
Entrou em vigor, no fim de novembro, o MED 2.0, a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução do Pix, criado para recuperar valores enviados em golpes.
Antes, a devolução só era possível se o dinheiro ainda estivesse na primeira conta usada pelo golpista. Se o valor já tivesse sido transferido ou sacado, a vítima ficava sem alternativas.
O problema é que o dinheiro raramente permanece parado: criminosos costumam movimentá-lo rapidamente, espalhando o valor por várias contas e bancos para dificultar o rastro.
Com o MED 2.0, isso mudou. Os bancos passam a ter acesso a um mecanismo de rastreamento das transações envolvidas na fraude, podendo bloquear todas as contas por onde o dinheiro passar, não apenas a inicial.
Com a novidade, algumas informações falsas começaram a circular nas redes, afirmando que todas as transações seriam rastreadas e que o sigilo financeiro dos usuários seria quebrado.
O Davi explica:
O rastreamento só acontece quando a vítima aciona formalmente o MED após cair em um golpe. O BC não monitora transações comuns do dia a dia.
O objetivo do MED 2.0 é aumentar as chances da vítima recuperar seu dinheiro, e não tem qualquer ligação com a Receita Federal, o monitoramento fiscal ou a criação de impostos.
Golpe da tarefa
Um levantamento da Redbelt Security identificou 128 grupos ativos aplicando o golpe da tarefa no Brasil.
As vítimas recebem mensagens oferecendo trabalho temporário, renda extra ou microtarefas como curtir posts ou avaliar produtos.
Para ganhar confiança, os golpistas fazem um primeiro pagamento baixo (R$ 5 a R$ 20) e depois começam a exigir depósitos cada vez maiores para liberar “tarefas mais lucrativas”. Nenhum dos valores é devolvido.
A fraude evoluiu: muitos grupos agora enviam aplicativos falsos que pedem permissões exageradas e permitem o roubo de dados pessoais, senhas bancárias e códigos de SMS.
Desconfie de ofertas de renda fácil, especialmente quando prometem ganhos rápidos por tarefas simples.
Nunca faça depósitos antecipados para liberar supostas tarefas ou comissões.
Alerta de golpe envolvendo o Free Flow
O Free Flow é o novo sistema de pedágio automático sem cancelas, criado para deixar a viagem mais rápida. Mas, como sempre acontece com qualquer novidade, golpistas já estão se aproveitando disso para enganar motoristas.
Criminosos estão enviando boletos falsos para a casa das vítimas e criando sites que imitam o sistema oficial, cobrando taxas inexistentes.
As taxas do Free Flow só podem ser consultadas e pagas no site oficial da concessionária da rodovia por onde você passou.
Desconfie de links recebidos por mensagem (SMS, WhatsApp ou e-mail).
Nunca pague boletos inesperados ou que não tenha confirmado diretamente no site da concessionária.
Criminosos descobrem brecha para invadir calendários da Google e aplicar golpes em empresas
Uma funcionalidade criada para facilitar o dia a dia corporativo está sendo usada para aplicar golpes de phishing e roubar dados de empresas.
A vulnerabilidade explorada é a integração automática entre e-mail e calendário do Google Workspace.
Eles descobriram como inserir compromissos falsos no calendário dos colaboradores mesmo quando o e-mail é bloqueado por spam. Sim: o e-mail não chega, mas o evento aparece na agenda.
Hoje, ao receber um e-mail com um arquivo .ics, o Google Workspace e o Microsoft 365 criam automaticamente o evento, sem clique, sem confirmação, sem aviso. Ele simplesmente surge na sua agenda.
E aí mora o risco: o compromisso pode conter links maliciosos, anexos falsos ou instruções que levam o usuário a acionar o criminoso, abrindo portas para phishing, malware ou engenharia social.
1. Acesse o Console de Administração do Google Workspace
2. Navegue até Aplicativos → Google Workspace → Calendário
3. Clique em “Configurações” e localize a opção “Configurações de eventos”
4. Localize a opção “Adicionar convites ao meu calendário”
5. Altere para “Somente convites de remetentes conhecidos” ou “Convites aos quais os usuários responderam por e-mail”
Essas configurações impedem que qualquer pessoa adicione eventos ao calendário sem confirmação, reduzindo riscos de phishing.