Eleições 2026: como evitar golpes e fake news
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoO período eleitoral concentra um volume grande de informações e propagandas, o que exige atenção redobrada do eleitor diante de conteúdos falsos ou manipulados e de golpes aplicados em nome da Justiça Eleitoral. O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) alerta que vídeos falsos criados por inteligência artificial substituíram as fake news tradicionais como principal ameaça digital às eleições.
Vídeos feitos por IA são a nova ameaça:
Segundo o Guia Internet, Democracia e Eleições, do CGI.br, ferramentas de inteligência artificial generativa já haviam estreado no ciclo eleitoral de 2022, mas devem ter impacto ainda maior neste ano. O direcionamento desses conteúdos está cada vez mais atrelado a perfis específicos de usuários, com roteiros mais complexos e maior aparência de verdade.
"Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem", afirma a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.
O Guia também aponta a perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, como fatores que fazem convicções pessoais se sobreporem à verificação dos fatos.
Urnas eletrônicas continuam auditáveis:
Uma das informações falsas mais divulgadas no período eleitoral é a de que as urnas eletrônicas não podem ser auditadas. Desde a implementação do sistema, há 30 anos, fraudes como a urna grávida, o voto estoque e o mapismo deixaram de existir no processo eleitoral brasileiro.
A cada eleição, a Justiça Eleitoral contrata auditoria externa, que acompanha uma votação paralela com urnas sorteadas publicamente no dia da votação, conforme prevê a Resolução TSE nº 23.673/2021. O código-fonte das urnas também passa pela análise do Ministério Público Eleitoral, da Ordem dos Advogados do Brasil e de técnicos indicados pelos partidos políticos, conforme a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97).
Como identificar um golpe eleitoral?
A orientação principal para o eleitor é não fazer pagamentos nem fornecer dados antes de confirmar a informação pelos canais oficiais. Caso receba um link, convocação, cobrança ou mensagem em nome do Tribunal Superior Eleitoral, o caminho mais seguro é acessar por conta própria o Portal do TSE, o Autoatendimento Eleitoral ou o aplicativo e-Título.
Mesmo que a mensagem tenha o logotipo da Justiça Eleitoral, cite o nome ou o CPF do eleitor e pareça urgente, esses elementos não comprovam que a comunicação é verdadeira. A recomendação é fechar o WhatsApp, o SMS ou o e-mail recebido e procurar o serviço diretamente no Portal do TSE, no e-Título ou no site do TRE do estado.
Alguns sinais ajudam a identificar uma mensagem suspeita:
- Urgência forçada: a mensagem exige pagamento ou providência imediata.
- Ameaça de bloqueio: o conteúdo ameaça bloquear serviços ou apresenta consequências graves para pressionar o eleitor.
- Cobrança indevida: pede pagamento por um serviço eleitoral que é gratuito.
- Pedido de dados sensíveis: solicita senha, dados bancários ou chave Pix.
- Link ou boleto direto: envia diretamente uma chave Pix, um boleto ou um link de pagamento.
- Aplicativo desconhecido: pede a instalação de um app fora das lojas oficiais.
- Página clonada: direciona para um site que imita a identidade visual da Justiça Eleitoral.
- Isolamento do eleitor: tenta impedir que a pessoa confirme a informação por outro canal.
