Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe de investimentos
Escrito por Mariana Silva
AtualizadoA Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Criptoabate contra uma quadrilha suspeita de aplicar golpes por meio de falsas plataformas de investimento. Dez mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo, além de medidas cautelares contra outros oito investigados. A investigação começou depois que uma aposentada de 70 anos relatou à polícia um prejuízo de mais de R$37 milhões, valor recebido de uma herança.
Segundo o delegado Eibert Moreira, a vítima tinha um perfil agressivo de investimentos e chegou a ser alertada pelo próprio corretor da corretora lícita que utilizava para apostar em opções menos arriscadas. Mesmo assim, ela retirou o dinheiro da corretora legítima e passou a direcionar os valores para a organização criminosa, sem saber que se tratava de uma fraude.
A aposentada foi submetida a um processo gradual de convencimento, com pagamentos feitos em partes sob a expectativa de retornos financeiros. Ela foi incluída em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas de estudo e investimentos no mercado financeiro, com supostos especialistas e assistentes que interagiam para criar aparência de profissionalismo. Os suspeitos apresentavam análises de mercado, orientações financeiras e resultados aparentemente positivos para manter a confiança da vítima.
Quando a aposentada tentou retirar o dinheiro, os saques foram bloqueados. A partir daí, passaram a surgir novas exigências financeiras, como supostas taxas, impostos ou valores necessários para a liberação do patrimônio, segundo a polícia. A apuração já identificou ao menos 140 potenciais vítimas nos ambientes digitais usados pelo grupo.
Como o dinheiro era movimentado?
De acordo com a polícia, a quadrilha usava laranjas e mantinha uma cadeia estruturada para movimentar o dinheiro obtido com os golpes:
- Captação de laranjas: pessoas eram recrutadas para figurar como titulares de empresas e contas bancárias usadas no esquema.
- Distribuição entre contas: após entrar nas primeiras contas, o dinheiro era repassado para outros CNPJs e intermediadores financeiros.
- Conversão em criptoativos: em algumas etapas, os valores eram trocados por criptomoedas, como no caso de aproximadamente 675 mil unidades de USDT convertidas em apenas três dias.
Segundo a investigação, houve sucessivas etapas de pulverização e concentração dos recursos, com movimentações realizadas em períodos extremamente curtos, o que dificulta o rastreamento do dinheiro. Os nomes dos alvos da operação não foram divulgados, e entre eles estão empresários, administradores de empresas, operadores financeiros e uma profissional do sistema bancário.
Como se proteger de golpes de investimento?
Esquemas como esse costumam usar grupos de mensagens, promessas de retorno alto e uma falsa sensação de comunidade para ganhar a confiança da vítima antes de aplicar o golpe. Alguns sinais ajudam a identificar esse tipo de fraude:
- Desconfie de retornos muito acima do mercado: promessas de lucro alto e constante, sem risco, são características de esquemas fraudulentos.
- Verifique se a plataforma é regulada: corretoras e gestoras legítimas precisam ter registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- Fique atento a bloqueios de saque: cobranças de taxas ou impostos para liberar um resgate são um forte indício de golpe.
- Evite decisões tomadas em grupos de mensagens: comunidades de investimento genuínas não pressionam para aportes rápidos e sucessivos.
